NÓS, DANIEL BLAKE: UMA ANÁLISE DOS DISPOSITIVOS DE CONTROLE, DOMINAÇÃO E RESISTÊNCIA

  • Uiara Lopes Miranda Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG.
  • Juliana Cardoso Amaral
  • Lilian Bambirra de Assis Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG).
Palavras-chave: Análise fílmica, Dominação, Poder, Resistência, Violência Simbólica

Resumo

Objetivou-se neste artigo analisar os dispositivos de controle e das relações de poder, dominação e resistência observados no filme Eu, Daniel Blake. A análise se deu por meio da perspectiva da sociedade disciplinar de Foucault, visão esta que foi revisitada por Deleuze com o conceito de sociedade de controle, e o conceito de habitus e dominação simbólica sob a perspectiva de Bourdieu. O filme traz alguns desses dispositivos e mostra relações de dominação sob uma determinada classe de sujeitos. A análise corrobora o pensamento deleuziano de que a sociedade disciplinar vem sendo reconfigurada por meio de uma narrativa histórica de controle e dominação. Este filme é um retrato da sociedade atual que mostra como os sujeitos são submetidos a normas comportamentais que trazem sofrimento e miséria humana, mas que, ao mesmo tempo, tentam se estabelecer enquanto donos de sua história por meio da resistência e da luta. 

Biografia do Autor

Uiara Lopes Miranda, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG.
Administradora pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (Puc-Minas). Administradora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Departamento de Recursos Humanos.
Juliana Cardoso Amaral
Administradora pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG). Administradora da Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG).
Lilian Bambirra de Assis, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG).
Doutora e Mestre em Administração pela UFMG. Professora do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG).

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Publicado
2019-02-09
Seção
Ensaios