CINEMA, TRABALHO E SUBJETIVIDADE: MICRONARRATIVAS SOBRE SUBJETIVAÇÕES EM BOI NEON

  • Igor Baptista de Oliveira Medeiros Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Vanessa Amaral Prestes Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Aline Mendonça Fraga
Palavras-chave: Cinema, Trabalho, Subjetividade, Boi Neon

Resumo

Neste artigo, propomos analisar como as performances de gênero ao longo do filme Boi Neon se engendram a partir de dispositivos de subjetivação marcantes em nossa contemporaneidade como trabalho e sexualidade. O filme explora um horizonte agreste e seco de potencialidades de trabalho e de vida que produz, ao contrário do que se espera, profusões de fazeres criativos e de estilísticas do viver que não seguem os moldes do regime de verdade do nosso tempo. Dessa forma, abriu espaço para refletirmos sobre o quanto se produz e se vive em lugares que parecem pouco transformados pela lógica moderna do trabalho. O percurso metodológico foi delineado pela produção de micronarrativas fluidas, que dizem sobre como a narrativa de Boi Neon nos afetou. As micronarrativas produzidas colocam em pauta o processo de criação de exercícios reflexivos que se revelam como alternativa à existência assujeitada, em especial no âmbito do trabalho.

Biografia do Autor

Igor Baptista de Oliveira Medeiros, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Doutorando em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGA/EA/UFRGS). Desenvolve estudos na área de Gestão de Pessoas e dos Estudos Organizacionais, com ênfase na análise do discurso e da estética na formação do administrador.
Vanessa Amaral Prestes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGA/EA/UFRGS). Desenvolve estudos área de Gestão de Pessoas e dos Estudos Organizacionais, com ênfase na articulação dos eixos Trabalho, Mobilidade e Subjetividade.
Aline Mendonça Fraga
Doutoranda em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGA/EA/UFRGS). Principais temas de interesse: Carreira, Mobilidade, Expatriação, Gênero e Relações de trabalho.

Referências

Alvarenga, M. A., Leite, N. R. P., Freitas, A. D. G., & Ruas, R. L. (2017). Capacidades dinâmicas e vantagem competitiva em ambientes de mudanças constantes, à luz da análise do filme ‘Recém-chegada’. Revista de Gestão, 24(1), 35-44.

Arán, M. (2003). Os destinos da diferença sexual na cultura contemporânea. Estudos Feministas, 11(2), 399-422.

Arán, M. & Peixoto Junior, C. A. (2007). Subversões do desejo: sobre gênero e subjetividade em Judith Butler. Cadernos Pagu, 28, 129-147.

Bernardes, J., Nardi, H. C., & Tittoni, J. (2002). Trabalho e subjetividade. In: A. D. Cattani (Org.). Trabalho e tecnologia: dicionário crítico (pp. 302-308). Petrópolis: Vozes.

BOI neon. (2015). Direção: Gabriel Mascaro. [S.l.]: Desvia, Canal Brasil, Malbicho Cine & Viking Films. 1 DVD (101min).

Butler, J. (1993). Imitation and gender insubordination. In: D. Fuss (Ed). Inside/Out: lesbian theories, gay theories (pp. 13-31). New York: Routledge.

Butler, J. (2006). O gênero é uma instituição social mutável e histórica. Revista IHU on-line, 11(199), 3-5.

Butler, J. (1999). Corpos que pesam: sobre os limites discursivos do “sexo”. In: G. L. Louro. O corpo educado: pedagogias da sexualidade (pp. 151-172). Belo Horizonte: Autêntica.

Butler, J. (1990). Gender trouble: feminism and the subversion of gender. Routledge: New York.

Deleuze, G. (2013). Foucault. São Paulo: Brasiliense.

Deleuze, G. (2008). Michel Foucault. In: G. Deleuze. Conversações (pp. 105-147). Rio de Janeiro: 34.

Deleuze, G. (1988). O abecedário de Gilles Deleuze: entrevista com Claire Parnet em 1988. Recuperado em 7 agosto, 2017, de: http://stoa.usp.br/prodsubjeduc/files/262/1015/Abecedario+G.+Deleuze.pdf.

Deleuze, G. & Guattari, F. (1997). Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia (v. 4). São Paulo: 34.

Deleuze, G. & Guattari, F. (1996). Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia (v. 3). São Paulo: 34.

Deleuze, G. & Guattari, F. (1995). Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia (v. 1). São Paulo: 34.

Deleuze, G. & Parnet, C. (1998). Diálogos. São Paulo: Escuta.

Fonseca, M. A. (1995). Michel Foucault e a constituição do sujeito. São Paulo: EDUC.

Fonseca, T. M. G. (2015). Profanando um arquivo da infâmia: imagens da loucura. Mnemosine, 11, 313-320.

Fonseca, T. M. G., Costa, L. A., Cardoso Filho, C. A., & Garavelo, L. M. C. (2015). Narrativas das infâmias: um pouco de possível para a subjetivação contemporânea. Athenea Digital. Revista de Pensamiento e Investigación Social, 15(1), 225-247.

Foucault, M. (2017). História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Foucault, M. (2015). Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes.

Foucault, M. (2012). As malhas do poder. In: M. Foucault. Ditos e Escritos VIII. Segurança, penalidade e prisão (pp. 168-188). Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Foucault, M. (2010). História da sexualidade III: o cuidado de si. Rio de Janeiro: Graal.

Foucault, M. (2004). A ética do cuidado de si como prática da liberdade. In: M. Foucault. Ditos e Escritos V. Ética, Sexualidade e Política (pp. 264-287). Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Foucault, M. (2003a) Table ronde du 20 mai 1978. In: M. Foucault. Ditos e Escritos II: Arqueologia das ciências e história dos sistemas de pensamento (pp. 335-351). Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Foucault, M. (2003b). A vida dos homens infames. In: M. Foucault. Ditos e Escritos IV. Estratégia poder-saber (pp. 203-222). Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Guattari, F. (1981). Revolução molecular: pulsações políticas do desejo. São Paulo: Brasiliense.

Guattari, F. (1993). Guattari, o paradigma estético. Cadernos de Subjetividade, 1(1), 35-41.

Hermann, N. (2005). Ética e estética: a relação quase esquecida. Porto Alegre: EDIPUCRS.

Lauretis, T. (1991). Queer theory: lesbian and gay sexualities. Differences: a Journal of Feminist Cultural Studies, 3(2), 3-18.

Machado, D. Q., Ipiranga, A. S. R., & Matos, F. R. N. (2013). “Quero matar meu chefe”: retaliação e ações de assédio moral. Pretexto, 14(1), 52-70.

Meira, F. B. & Meira, M. B. V. (2014). A cultura de belezas americanas: gestão de pessoas, discurso e sujeito. Cadernos EBAPE.BR, 12(1), 163-177.

Miskolci, R. (2009). A teoria Queer e a Sociologia: o desafio de uma analítica da normalização. Sociologias, 21, 150-182.

Nardi, H. C. (2006). Ética, trabalho e subjetividade: trajetórias de vida no contexto do capitalismo contemporâneo. Porto Alegre: UFRGS.

Nietzsche, F. (2007). O nascimento da tragédia. São Paulo: Companhia de Bolso.

Nietzsche, F. (2006). A gaia ciência. São Paulo: Escala.

Ortega, F. (1999). Amizade e estética da existência em Foucault. Rio de Janeiro: Graal.

Ostrower, F. (2006). Criatividade e processos de criação (20a. ed.) Petrópolis: Vozes.

Pelbart, P. P. (1993). Um direito ao silêncio. Cadernos de Subjetividade, 1(1), 41-48.

Peters, M. (2000). Pós-estruturalismo e filosofia da diferença. Belo Horizonte: Autêntica.

Ramminger, T. & Nardi, H. C. (2008). Subjetividade e trabalho: algumas contribuições conceituais de Michel Foucault. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, 12(25), 339-346.

Rancière, J. (2005). A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: 34.

Rolnik, S. (1993). A morte de Félix Guattari. Cadernos de Subjetividade, 1(1), 35-41.

Souza, E. M. (2017). A Teoria Queer e os Estudos Organizacionais: revisando conceitos sobre identidade. Revista de Administração Contemporânea, 21(3), 308-326.

Souza, E. M., Souza, S. P., & Silva, A. R. L. (2013). O pós-estruturalismo e os estudos críticos de gestão: da busca pela emancipação à constituição do sujeito. Revista de Administração Contemporânea, 17(2), 198-217.

Veiga-Neto, A. (2003). Foucault e educação. Belo Horizonte: Autêntica.

Veyne, P. (2011). Foucault: seu pensamento, sua pessoa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Publicado
2019-02-09
Seção
Dossiê "Cinema: Trabalho, Organizações e Sociedade"