O FATOR ECONÔMICO E AS RELAÇÕES DE FORÇA E PODER NO DISCURSO GERENCIALISTA

  • Kelly Pellizari Universidade Estadual de Mato Grosso- UNEMAT
  • Antonio Carvalho Neto Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais- PUC-MINAS
Palavras-chave: discurso gerencialista, executivas, fator econômico, relações de força e poder.

Resumo

Este trabalho tem por objetivo analisar o discurso do gerencialismo propagado pelas executivas, enfatizando-se o valor do fator econômico e as relações de força e poder nele presentes. A análise do discurso foi à ferramenta utilizada para tratar dos recortes selecionados nas treze entrevistas, realizadas com mulheres executivas. Entrevistas estas coletadas junto a um banco de dados previamente estruturado. Os resultados indicam que o discurso gerencialista é disseminado pelo discurso das mulheres executivas, sobretudo, daquelas que incorporam a dialética do modelo idealizado em suas práticas discursivas. Desta forma o fator econômico, mostrou-se como uma moeda de troca, para as relações que se estabelecem através do gerencialismo. No discurso gerencialista, o poder também está relacionado ao trabalho, de modo que, quanto mais o sujeito trabalhe, mais chances ele tem de chegar ao poder. E, por internalizar esse discurso, os sujeitos mostram-se reféns desta lógica e incorporam-na como sendo algo natural.

Referências

ALCADIPANI, R. Ideias em debate: "Academia e a fábrica de sardinhas". Organizações & Sociedade, v.18(57), p. 345-348, 2011.

ALCADIPANI, R.; BERTERO, C. O. Guerra Fria e o ensino do management no Brasil: O caso da FGV-EAESP. Revista de Administração de Empresas- RAE 52(3), p. 284-299, 2012.

ALMEIDA, T. S. As executivas entre a carreira profissional e a vida pessoal. (Dissertação de mestrado) Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2013. Recup. http://www.sistemas.pucminas.br/BDP/SilverStream/Pages/pg_ConsItem.html

ABRUCIO, F. L. O impacto do modelo gerencial na administração pública: Um breve estudo sobre a experiência internacional recente. Cadernos ENAP; n. 10, p. 52, 1997.

ARAÚJO, P. G.; PEREIRA, J. R. Análise da aplicabilidade do modelo gerencial na administração municipal. Revista de Administração Pública, 46(5), p. 1179-1199, 2012.

BAUMAN, Z. Modernidade e ambivalência. Trad. Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

BENDASSOLLI, P. Trabalho e identidade em tempos sombrios. Aparecida: Ideias & Letras, 2007.

BERTERO, C. O.; ALCADIPANI, R.; CABRAL, S.; FARIA, A.; ROSSONI, L. Os desafios da produção de conhecimento em Administração no Brasil. Cadernos EBAPE.BR, 11(1), p. 182-196, 2013.

BOLOGNINI, C. Z. Efeito da metáfora e da metonímia no gesto de interpretação: quem é o rei no “Rei Leão”? In: Discurso e ensino: o cinema na escola. Org. Carmen zink Bolognini. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2007.

BONAMA, T. V. Case research in marketing: opportunities, problems and process. Journal of marketing research, v. 22, p. 199- 208. Mai, 1985.

CARVALHO NETO, A.; TANURE, B.; ANDRADE, J.O. Executivas: carreira, maternidade, amores e preconceitos. Revista de administração de empresa – RAE Eletrônica (Online), v. 9, p. 2-23, 2010.

CARVALHO NETO, A, TANURE, B., SANTOS, C. M. M. & Lima, G. S. Executivos Brasileiros: na contramão do perfil deificado da liderança transformacional. Revista Ciências Da Administração, Vol. 14, N. 32, Abr. 2012.

CALGARO, J. C. C. Gerencialismo. In: Dicionário crítico de gestão e psicodinâmica do trabalho. (Org.) Fernando de Oliveira Vieira, Ana Magnólia Mendes, Álvaro Roberto Crespo Merlo. Curitiba: Juruá, 2013.

EISENHARDT, K. M. Bulding theories from case study research. Academy of Management Review. v. 14 n. 4, p. 532-550. 1989.

FEDATTO, C. P.; MACHADO, C. P. O muro, o pátio e o coral ou sentidos no/do professor. In: Discurso e ensino: o cinema na escola. Org. Carmen zink Bolognini. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2007.

FREZZA, M., GRISCI, C. L. I. & KESSLER, C. K. Tempo e espaço na contemporaneidade: uma análise a partir de uma revista popular de negócios. Revista de Administração Contemporânea- RAC. Vol.13, n.3, pp. 487-503. ISSN 1982-7849. 2009.

FORD, J. Studying Leadership Critically: A Psychosocial Lens on Leadership Identities. Leadership, v. 6, n. 47. DOI: 10.1177/1742715009354235, 2010.

FOUCAULT, M. Nascimento da biopolítica: Curso dado no Collège de France (1978-1979), Trad. Eduardo Brandão. Ver. Claudia Berliner: Martins Fontes, 1979.

FOUCAULT, M. A ordem do discurso. 7 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

GAULEJAC, V. Gestão como doença social. São Paulo: Ideias e letras, 2007.

GREENWOOD, E. Métodos principales de investigación social empírica. In: Metodologia de la Investigación Social. Buenos Aires, Paidós. Cap. 6, p. 106-126. 1973.

GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 6 ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 2002.

GODOY, A. S. Pesquisa qualitativa: tipos fundamentais. Revista de Administração de Empresas – RAE, São Paulo, v. 35, n.3, p.65 - 71, mai. 1995.

ITUASSU, C. T., & TONELLI, M. J. Notas sobre o conceito de sucesso: sentidos e possíveis (re) significações. Revista de Administração Mackenzie, 13(6), 197-224.2012.

HECKSCHER, C. C. The new unionism: employee involvement in the changing corporation. New York: Basic Books. 1996.

JONES, J. P.; ROBERTS, S.; FROHLING, O. Managerialism in Motion: Lessons from Oaxaca. Journal of Latin American Studies, v. 43, 2011.

LIMA G. S., CARVALHO NETO, A., Lima, M. S., TANURE, B. & VERSIANI, F. O teto de vido das executivas brasileiras. Pretexto. v.14, n. 4. p. 65-80. Out/dez. 2013.

LOUREIRO, C. M. P., COSTA, I. S. A., & FREITAS, J. A. S. B. Trajetórias profissionais de mulheres executivas: qual o preço do sucesso? Revista de Ciências da Administração, 14(33), p.130-144. 2012.

MAINGUENEAU, D. Gênese dos discursos. Trad. Sírio Possenti. Curitiba: Criar. 2005.

MARIZ, L.; GOULART, S.; DOURADO, D.; REGIS, H. P. O Reinado dos Estudos de Caso em Teoria das Organizações: Imprecisões e Alternativas. Cadernos EBAPE.BR, v. 3, n. 2, 2005.

MUSSALIM, F. Análise do discurso. In: Mussalim, F & Bentes, A. C. Introdução à linguística: domínios e fronteiras. 5. ed. v. 2, São Paulo: Cortez, 2006.

MINAYO, M. C. & SANCHES, O. Qualitativo – quantitativo: oposição ou complementaridade? Caderno de Saúde Pública. Rio de janeiro. V. 9, p. 239-262. Jul/set. 1993.

OLIVEIRA, A. R.; GAIO, L. E.; BONACIM, C. A. G. Relações de Gênero e ascensão feminina no ambiente Organizacional: um ensaio teórico. In: Revista de Administração - Adm. UFSM, Santa Maria, v. 2, n. 1, p. 80-97, janeiro/abril, 2009.

ORLANDI, E. P. A análise de discurso e seus entremeios: notas para a sua história no Brasil. Caderno de Estudos Linguísticos (42), Campinas: Jan./Jun. PÊCHEUX, Michel. Semântica e Discurso, Campinas: Editora da Unicamp, 2002.

ORLANDI. E. P. Michel Pêcheux e a análise de discurso. Estudos da língua(gem). Congresso Vitória da Conquista, Anais. n. 1, julho, p. 9-13, 20005. Disponível em: http://www.cpelin.org/estudosdalinguagem/n1jun2005/artigos/orlandi.pdf.

ORLANDI, E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 7 ed., Campinas, SP: Pontes, 2007.

POLLIT, C. Managerialism and the public services. Oxford: Brasil Blackwell, 1990.

PÊCHEUX, M. Análise automática do discurso. In: Gadet, F. Hak, T. (Orgs.). Por uma análise automática do discurso – introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas: Unicamp, p. 61 – 161, 1990.

PÊCHEUX, M. Semântica e Discurso - uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas, Editora da Unicamp, 1995.

RAGIN, C. C. Introduction: cases of: What is a case? 1992.

SANDBERG, S. Faça acontecer. Mulheres, trabalho e a vontade de liderar. Trad. Denise Bottmann. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
SANTOS, C. M. M. As mulheres brasileiras: Do Espaço Privado da Casa para as Posições Executivas nas Organizações Brasileiras. (Tese de doutorado) Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil. 2012. Recuperado de: http://www.sistemas.pucminas.br/BDP/SilverStream/Pages/pg_ConsItem.html
SOUSA, R. M. B. C., & MELO, M. C. O. L. Mulheres na gerência em Tecnologia da Informação: análise de expressões de empoderamento. Revista de Gestão, 16(1), p. 1-16. 2009.

THOMPSON, J. B. Ideologia e Moderna Cultura: Teoria Social Critica na Era dos Meios de Comunicação de Massa. Petrópolis: Vozes, 1995.

VENTURA, E. C. Responsabilidade Social das Empresas sob a óptica do “Novo Espírito do Capitalismo”. In: Anais do EnANPAD, Rio de Janeiro, set, p. 1-16. 2003.

WOOD JR., T.; TONELLI, M.J.; COOKE, B. Colonização e neocolonização da gestão de recursos humanos no Brasil (1950-2010). Revista de administração de empresa - RAE, São Paulo, v. 51, n. 3, p. 232-243, maio/jun, 2011.

WOOD JR, T.; PAES DE PAULA, A. P. Pop-management literature: Popular business press and management culture in Brazil. Canadian Journal of Administrative Sciences, v. 25, p. 185-200, 2008.

YIN, R. K. The case study crisis: some answers. Administrative Science Quarterly, v. 26, 1981.
Publicado
2019-05-27
Seção
Artigos