O BANHEIRO DOS HOMENS COMO METÁFORA DO BIOPODER VIRIL-DISCIPLINAR

Anderson de Souza Sant'anna

Resumo


Neste artigo, revisitam-se receitas de menus internacionais, com toques de ingredientes locais, incluindo aqueles ainda periféricos ou cotidianamente ignorados que, todavia, são emblemáticos da difusão e introjeção de discursos e práticas que suportam tais relações contemporâneas. Centramos esta pequena “etnografia” do banheiro masculino, investigando-o como dispositivo de produção, transmissão e reprodução de subjetividades que suportam discursos e práticas políticas. Os resultados corroboram Foucault quanto à amplitude e profundidade da presença do poder disciplinar, bem como quanto à sofisticação e sutilização de estratégias e táticas mobilizadas. Destacam-se, ainda, formas contemporâneas de apropriação e ressignificação da noção de virilidade como fundamento e instância política intra e extraorganizacional.


Palavras-chave


Poder; Biopoder; Espaço; Panóptico; Controle

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